Desigualdades e Mortalidade Materna no Brasil

Entre 1996 e 2022, a mortalidade materna por aborto caiu cerca de 47 %, mas disparidades regionais e sociais persistem — jovens, mulheres com baixa escolaridade, negras e das regiões Norte e Nordeste continuam em risco elevado. Fonte: Pereira et al. (2025), MDPI. :contentReference[oaicite:0]{index=0}
1. Pico durante a COVID‑19 (2020–2021)
No 2º trimestre de 2021, o Brasil atingiu um recorde de 197,75 mortes por 100 000 nascidos vivos, mais que 3× acima da média pré-pandemia (≈58). Cerca de 40% dessas mortes foram atribuídas à COVID‑19. Fonte: Cañedo et al. (2024), PLOS ONE. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
2. Desigualdades regionais e raciais
- Regiões Norte/Nordeste levaram nos picos pandêmicos (até 142/100 000).
- Mulheres negras/pardas representaram ~46% dos óbitos por COVID‑19, com escolaridade média de 8–11 anos. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
- Em 2021, a RMM entre mulheres pretas (≈100/100 000) foi >2× a de mulheres brancas (≈47/100 000). :contentReference[oaicite:3]{index=3}
3. Causas e evitabilidade
Hipertensão, hemorragia, infecções e abortos inseguros são responsáveis por grande parte das mortes. Estima-se que 90–94% dos casos são evitáveis com assistência adequada. Abortos inseguros matam mais de 200 mulheres/ano. Fontes: MDPI; Wikipedia – Abortion in Brazil. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
4. Óbitos no puerpério e impacto direto
Aproximadamente 70% dos óbitos ocorrem até 42 dias após o parto. Entre 2020 e 2021, registraram-se ≈8.229 mortes, com RMM de 113,1/100 000. Fonte: Cañedo et al. (PLOS ONE). :contentReference[oaicite:5]{index=5}
5. Urgência, metas globais e próximos passos
- A meta da ONU é ≤ 30 mortes/100 000 até 2030 — o Brasil permanece bem acima. :contentReference[oaicite:6]{index=6}
- Desigualdades raciais, socioeconômicas e geográficas continuam a agravar o quadro.
- É fundamental ampliar UTI obstétrica, acesso em áreas rurais e políticas inclusivas antirracistas.





